O Porquê do Blogue

Brasil está no labirinto da indefinição. O momento estimula desafios e amplia debates. Tempo, portanto, da informação que detalha e da análise que orienta, ambas matérias-primas do jornalismo parceiro da verdade. Além da intermediação entre o fato e o leitor, este espaço pretende ser mais uma trincheira dos direitos e das garantias individuais. Também, da livre iniciativa e do enquadramento do Estado, ineficiente e caro, na prestação de serviços essenciais aos cidadãos, independentemente de cor, credo e gênero. Linha editorial independente exclui associação com o poder e a oposição, mesmo se forem reconhecidas a origem legal da conquista e a respeitabilidade do seu protagonismo. É compromisso. Acompanhe e critique.

Entre em contato!
walgom@uol.com.br

Desafios herdados

 

Rinaldo Barros (*)

 

Começo com uma constatação: o cenário que se descortina para o trabalhador continua incerto, desesperador.

Caso não pratiquemos conceitos inovadores para a Educação profissionalizante, não vejo a saída.

É verdade que, hoje em dia, é possível tornar-se cada vez mais competitivo e mais bem formado. De outro lado, esta mesma dinâmica modernizadora reduz drasticamente o número de novos empregos.

É inútil e vão esperar um futuro de “pleno emprego”. A máquina substitui o ser humano, com vantagem.

Desemprego, pobreza e violência estão associados à trajetória dos jovens brasileiros há muito tempo. Muito mais do que se poderia prever e desejar.

Temos grandes desafios herdados de nossa história injusta: 1) a proliferação do mercado informal, que já abrange a mais da metade das pessoas economicamente ativas; 2) o analfabetismo funcional (aquele que lê, mas não entende), atingindo cerca de setenta por cento da população brasileira.

Os últimos governos não avançaram em relação à questão da qualidade educacional da rede pública; com um detalhe: contingenciaram recursos, através da DRU, não cumpriram o valor mínimo destinado ao Fundeb; e nunca aplicaram mais do que (5,0%) cinco por cento da receita em Educação.

Somente será possível encontrar a saída através da prática de novos métodos pedagógicos e do investimento pesado para universalizar a educação básica profissionalizante. A escola deve ser atrativa para a jovens e isso deve acontecer com práticas que façam sentido para eles. Os currículos também devem abordar as habilidades exigidas para o século 21. E a Base Curricular, que está sendo estruturada agora, deve incluir as novas competências do mundo digital. O mundo muda rapidamente, e o patropi corre risco de não acompanhar.

Por falar nisso, espera-se que a vontade política do novo governo seja estimular a Educação pública de qualidade, a par de uma Lei de Responsabilidade Educacional; e a proposta de renúncia fiscal em troca de vagas para estudantes carentes na rede privada, preferencialmente, para formação técnica.

Sem dúvida, o incremento da competência humana do trabalhador é sua tábua de salvação.

Estão em jogo também outros dois desafios ainda maiores.

O primeiro refere-se à capacidade de manejar o conhecimento, por ser este a alavanca central das inovações modernas. Não cabe mais apenas absorver conhecimento, reproduzir, copiar, como se faz na escola, tradicional. É mister reconstruir o conhecimento tornando-se sujeito do processo, capaz de inovar e empreender.

Estimular o empreendedorismo é o caminho.

O segundo grande desafio refere-se à capacidade de humanizar as inovações imprimindo-lhes a ética histórica necessária para transformá-las em bem comum.

Podemos chamar o primeiro desafio de qualidade formal e o segundo de qualidade política, que buscam conjugar, num todo só, conhecimento e cidadania.

Não se trata mais de apenas fazer, mas de saber fazer, para poder sempre refazer. Devemos instituir a ideia de educação continuada. Todos, educadores e alunos, devemos ser eternos aprendizes!

Quem não estuda todo dia, todo dia enferruja o cérebro, inexoravelmente. A pessoa apenas treinada não vai além de reproduzir mecanicamente o que decorou. Isso é passado.

A economia moderna já não sabe o que fazer com esta figura que só sabe copiar. O trabalhador atualizado precisa aprender a pensar, pesquisar, para estar a par das inovações e de – como protagonista – conceber ou criar novas soluções. É preciso aprender a aprender. A escola deve estimular a pesquisa e a dúvida.

Hoje, também o grande empresário precisa e pede uma escola básica de boa qualidade, não porque se tenha convertido às causas sociais, mas porque o analfabeto já não dá lucro.

Resumo da ópera: o cenário que viveremos no século XXI depende do que governantes e educadores realizarmos, concretamente, em termos de Educação profissionalizante de qualidade, de construirmos uma escola para a cidadania; ou não.

Poderemos construir a civilização ou a barbárie.

(*) Professor

Sem comentários
Escrever um comentário