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Adorno: “Apedrejador de hoje pode ser apedrejado de amanhã”

Polaridade concentra extremos opostos e constrói mundo de divergências não negociáveis, sintetiza Sergio Adorno, do Departamento de Sociologia da USP (Universidade de São Paulo) e coordenador do Núcleo de Estudos da Violência.

Explica:

“Vai do certo ao errado, do justo ao injusto, da verdade à mentira. A sociedade democrática é justamente aquela que lida com as diferenças. A polarização é um mal e é incompatível com a vida social”.

Daí Adorno recomendar necessidade imediata para reagir à situação provocada pelo radicalismo que envolve o debate político. No momento, instantes finais da campanha de Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) para sucessão do presidente da República. A partir de janeiro, o confronto entre a oposição e o governo.

“Temos que enfrentar isso, porque a situação sempre pode se inverter. O apedrejador de hoje pode ser o apedrejado de amanhã”, sublinha o sociólogo.

Luzes da ribalta

Caberia bem na pauta do Supremo Tribunal Federal debate sobre ‘constitucionalidade’ do exibicionismo de seus ministros.

Togados como Celso de Mello (decano), Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello exageram na fala e no gestual.

Gostam, imagina-se, de ouvir a própria voz e ver sua imagem na tevê.

Mendes e Marco Aurélio se destacam, entre os 11 titulares da Corte, nos comentários fora dos autos.

Perigo chamado Cunha

Danielle e Eduardo Cunha

Embora repita que continua distante do grupo de delatores, Eduardo Cunha (MDB-RJ), “mais cedo ou mais tarde, falará”, opina interlocutor antigo do ex-presidente da Câmara dos Deputados.

Mais, segundo o inconfidente:

“Cunha tem muito a revelar para preencher lacunas nos depoimentos da Operação Lava-Jato”.

Pós-escrito: o ex-deputado, preso em Curitiba, decepcionou-se com o novo tempo. Não conseguiu – e recursos não faltaram, inclusos reais do fundo partidário – transferir espólio eleitoral a Danielle, sua filha que concorreu à Câmara Federal.

Urnas castigam Agripino

Denunciados por corrupção passiva, três senadores influentes desistiram de pleitear a renovação do mandato e tentaram troca de Casa no Legislativo Federal.

Aécio Neves (PSDB-MG) e Gleisi Hoffmann (PT-PR) tiveram sucesso, mas José Agripino (DEM-RN) foi derrotado.

Neves presidiu a Câmara, a social-democracia, governou os mineiros e quase chegou ao Planalto.

Hoffman dirige o petismo nacional.

O norte-rio-grandense Maia chefiou o Executivo potiguar e comandou o Democratas no país.

Tucanato em declínio

Fernando Henrique Cardoso e João Doria

Fernando Henrique Cardoso exagerou no papel de conselheiro das excelências políticas do seu partido e de siglas associadas.

O ex-governante da República Surrealista dos Trópicos não percebeu que falava ao vento surdo.

Embora presidente de honra do PSDB, foi ignorado pelas três ou quatro alas da social-democracia.

Resultado: o partido, que representou durante oito anos no Palácio do Planalto, encolheu, perdeu prestígio e votos aos milhões.

Tucanato está ameaçado de ser qualificado como nanico. Foi imenso, muito mesmo, o prejuízo contabilizado nas urnas. Eliminação de Geraldo Alckmin no primeiro turno teve efeito danoso.

João Doria, sob pressão máxima, classificou-se para o domingo (28) da decisão sobre governança paulista, mas está ameaçado de derrota. Até no tucanato há torcida contra ele, agora qualificado fura-olho.

Complica-se desempenho de Antonio Anastasia em Minas Gerais, outro grande colégio eleitoral do país.

Para não ser maior o baque, tem chance de vitória no Rio Grande do Sul. Eduardo Leite, jovem bom de discurso, contabiliza seis pontos percentuais de vantagem sobre o bem qualificado José Ivo Sartori, emedebista que tenta a reeleição.

Assim falou Thatcher

“O socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros” (Margaret Thatcher, política inglesa).

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