Publicado em 06/12/2017 11:38:47

Os adversários do Brasil na 1ª


fase da Copa vão dar trabalho

Tostão (*)

Escrevi que o grupo do Brasil é fácil. Não é tanto assim. É fácil, para conseguir a classificação. Para ganhar os jogos, haverá dificuldade, pois as equipes inferiores de todo o mundo aprenderam a formar um bom sistema defensivo. Quando perdem a bola, recuam e marcam com duas linhas de quatro, compactas, ou com uma de cinco (três zagueiros e dois alas) e outra de quatro, às vezes, de três. No passado, as goleadas eram mais frequentes.

No sábado, na vitória do Manchester United sobre o Arsenal, por 3 a 1, o Manchester marcou mal, com uma linha de cinco, excessivamente recuada, dentro da área, e outra, de três. Isso facilitou para o Arsenal trocar passes desde a intermediária, finalizar de fora da área e criar umas dez ótimas chances de gol. Fez apenas um por causa da excepcional atuação do goleiro espanhol De Gea e pelos erros de finalização. Como o United ganhou no contra-ataque, o técnico Mourinho foi bastante elogiado.

No recente empate, por 0 a 0, entre Brasil e Inglaterra, o time inglês marcou muito bem, com uma linha de cinco e outra de quatro. A seleção criou apenas uma ou duas chances de gol. Na fase de grupos da Copa do Mundo, o Brasil vai enfrentar defesas do mesmo tipo. Todos os técnicos sabem que jogadores hábeis, dribladores e velozes, como os meias e atacantes do Brasil, não podem ter espaço para receber a bola, contra apenas um adversário. Por outro lado, o Brasil, contra a Inglaterra, recuperou rapidamente a bola, por causa da boa marcação e da falta de qualidade dos reservas da seleção inglesa, que não conseguiam sair com a bola.

Tite possui ainda dúvidas, se escala Renato Augusto ou Fernandinho e se coloca Willian, com Coutinho pelo centro, saindo Renato Augusto (ou Fernandinho) e até mesmo Paulinho. O time, com Willian e Coutinho, fica com mais talento ofensivo, porém, com Casemiro, Renato Augusto ou Fernandinho e Paulinho, desarma mais e pode tomar a bola mais perto do gol adversário, antes que a defesa se organize. Tite deve usar as duas opções, de acordo com o momento.

Paulinho conquistou a posição de titular do Barcelona, apesar dos empates nos dois jogos em que atuou, durante todo o tempo, pelo Campeonato Espanhol. O Barcelona aderiu ao sistema tático tradicional, com dois volantes (Busquets e Paulinho) e um meia de cada lado (Iniesta e Rakitic), além de dois atacantes (Messi e Suárez). Desde a época de Cruyff, o time jogava com três no meio e três na frente.

Escrevi umas mil vezes que, tempos atrás, houve uma divisão rígida no meio-campo dos times brasileiros, entre os volantes que só marcam e os meias ofensivos que só atacam. Isso não significa que, na Europa, onde não houve essa separação, os volantes, quando avançam, têm a habilidade dos meias.

Todos os times do mundo necessitam de um volante mais recuado, centralizado, que desarme bem e que inicie as jogadas ofensivas com um bom passe, como fazem Busquets, Casemiro, Fernandinho e outros. Ao lado destes volantes, existem alguns excepcionais meio-campistas, que atuam de uma intermediária à outra, como Kroos, Modric, Pogba, De Bruyne. Falta um craque nesta função na seleção brasileira.

Quando assisto às principais seleções da Europa, vejo nelas mais dificuldades que no time brasileiro. Estou otimista, sem oba-oba e sem ser tendencioso.

(*) Médico e ex-jogador



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