Atualizado em 29/11/2017 12:20:45

Para se sentir em


casa nas cidades

Alexandre Baldy (*)

Desde a primeira hora em que assumi o Ministério das Cidades, tenho buscado realizar um trabalho que tenha impacto real sobre o cotidiano dos brasileiros nas cidades. É preciso que o ministério assuma maiores compromissos na vida diária do cidadão e que suas ações impactem em maior qualidade de vida.

Defendo que as políticas públicas para as cidades no Brasil atuem na garantia de moradia segura, que promovam o saneamento e os demais aparelhos para uma vida com dignidade.

É preciso pensar na população. Em quanto tempo leva para chegar à primeira estação de transporte (seja ônibus, metrô ou trem). É fundamental conhecer a realidade da acessibilidade para pessoas com deficiência neste trajeto, bem como melhorar o tempo para deslocamento até o trabalho ou a escola — e, ainda, conhecer o grau de satisfação e qualidade do transporte coletivo ofertado nas cidades. Da mesma forma que é preciso identificar quais são os espaços de convivência, lazer e cultura para as famílias e os jovens.

Estes pontos, quando postos à avaliação do brasileiro, revelam desafios a serem superados, uma vez que estão longe de ter uma avaliação positiva. Acreditamos que é pela ausência de políticas eficazes na melhoria destes serviços que se desencadeiam problemas graves nas cidades, como violência familiar e comunitária, a evasão escolar e a formação de gangues juvenis. E todo este conjunto cria um universo de insegurança crescente nas cidades brasileiras.

A cidade cresce e se desenvolve sem levar em consideração que tem gente que mora nela. Mulheres e homens que deixam suas casas todos os dias para trabalhar, crianças e adolescentes que vão para as escolas e jovens que não encontram lugares seguros para conviver.

O Programa de Habitação, como concebido até agora, é uma mostra disso.

Trata-se de um modelo a ser melhorado com urgência. Cito um exemplo de um conjunto do programa Minha Casa Minha Vida, com 2.100 apartamentos, mas sem qualquer estrutura, onde o trabalhador gasta 30 minutos até o ponto de ônibus mais próximo, onde não há escola ou posto de saúde e, muito menos, um espaço de lazer e prática esportiva.

Este é o tipo de situação que devemos evitar a partir de agora, com o objetivo de evoluir na atuação do Ministério das Cidades. É preciso levar todo o conjunto de ações que citei anteriormente — logística de trânsito, saneamento, acessibilidade, áreas de prática esportiva e cultural, facilitar a instalação de postos de saúde e da rede de ensino — para que as famílias se sintam em segurança e devidamente atendidas.

A moradia é fundamental, mas o modelo precisa de evolução, a fim de garantir o direito de se viver em uma cidade acolhedora, articulada e acessível. Estas são premissas que o Ministério das Cidades não pode perder de vista um único dia sequer.

Viver nas cidades é chegar rápido ao destino, é se deslocar com segurança e conforto, é ter acessibilidade para pessoas com deficiência e espaços múltiplos de convivência.

Viver nas cidades é sair do próprio lar e sentir que continua em casa.

 

(*) Ministro das Cidades



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