Atualizado em 26/10/2017 17:01:17

Fifa investe na Índia por mercado


inexplorado de 1,3 bilhão de pessoas

Carolina OMS (*)    

Apesar de ser o segundo país mais populoso do mundo, ter altas taxas de crescimento econômico e um público apaixonado por esportes, a Índia está longe de ser uma excelência no futebol.

E é de olho neste mercado de 1,3 bilhão de pessoas que a Fifa cedeu pela primeira vez ao país a organização de um de seus campeonatos: a Copa do Mundo sub-17, que começou no último dia 6.

Com investimentos públicos e privados focados no críquete, modalidade na qual o país já conquistou dois campeonatos mundiais, a maioria dos indianos acostumou-se a torcer por times de futebol estrangeiros, inclusive durante a Copa do Mundo.

Governo, setor privado e a Fifa vêm tentando mudar essa realidade nos últimos anos. Sediar o Mundial sub-17, aumentar os investimentos no futebol de base e a criação de um segundo campeonato nacional, com a presença de estrelas internacionais em times indianos, são alguns dos passos que já foram dados nessa direção.

"Estou extremamente surpreso que o Mundial sub-17 foi capaz de gerar tamanho interesse, que é significativamente maior do que nas últimas edições", disse o diretor do torneio, Javier Ceppi, da Fifa. Em coletiva de imprensa, ele avaliou que o futebol está "realmente tomando conta da Índia".

O otimismo também é sentido na federação local, que vê na competição uma forma de chamar a atenção das autoridades para o futebol.

"O governo se envolveu bastante. Desde o primeiro-ministro até os governos estaduais. Aumentou muito o suporte para desenvolver o futebol de base", afirmou Kishore Taid, diretor-executivo da AIFF (All India Football Federation), entidade máxima do futebol no país. 

Segundo Taid, praticamente não há competições de futebol para as crianças indianas. Ele diz que um dos legados da Copa no país será a criação destes torneios. 

Desde o ano passado, Fifa, governo e AIFF se unem para divulgar o futebol no país. Cerca de 11 milhões de crianças participaram de workshops e eventos organizados pelas entidades no país. 

"Essa iniciativa terminaria depois da Copa, mas queremos transformá-la em um legado", diz Taid. 

O investimento no futebol indiano já vem crescendo há mais tempo. Em 2013, o conglomerado indiano Reliance fundou a Super Liga Indiana (ISL, na sigla em inglês). O campeonato anual tem duração de cinco meses e conta com bem mais investimento e cobertura de mídia que sua irmã mais velha, a I-League. 

Para atrair a atenção do público e da imprensa, os oito times da ISL têm contratado técnicos e jogadores de renome internacional. 

Participaram das últimas temporadas brasileiros como o técnico Zico e o ex-capitão da seleção Lúcio. Entre os estrangeiros com passagem na liga local destaca-se Marco Materazzi, zagueiro campeão mundial pela Itália em 2006. 

O técnico brasileiro Clebson Duarte, que trabalha no futebol indiano, tem ressalvas ao pesado investimento na ISL. "Não tragam grandes jogadores internacionais sem dar espaço e oportunidade para os jogadores indianos. Estão querendo construir uma casa pelo teto", disse.

(*) Editora da revista AzMina em Nova Délhi, Índia.



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