Atualizado em 18/10/2017 18:47:03

COB exclui Pan como condição para


dividir verba pública e irrita cartolas

Paulo Roberto Conde (*)

Além da instabilidade institucional em razão da renúncia de Carlos Arthur Nuzman, o Comitê Olímpico do Brasil terá de lidar com descontentamento de confederações pequenas em relação ao repasse da Lei Piva

O comitê definiu que, para 2018, não vai mais computar conquistas em Jogos Pan-Americanos na pontuação cuja somatória define quanto cada entidade esportiva receberá na temporada, o que tem irritado líderes de esportes de menor expressão.

A comunicação dos novos critérios foi feita no final de setembro, em reunião na sede do comitê, no Rio. Naquela época, Nuzman ainda estava à frente da entidade.

O comitê recebeu, em 2017, R$ 210 milhões via Lei Piva para dividir entre confederações e outras rubricas.

Na distribuição, por exemplo, deu um ponto para cada entidade por medalha de ouro obtida no Pan de Toronto, no Canadá, há dois anos.

Parece pouco, mas o item tinha peso importante para modalidades de menor expressão na luta por recursos.

Agora, as prioridades do COB ao fatiar os recursos, que advêm da arrecadação bruta das loterias federais, serão resultados em Jogos Olímpicos, Mundiais e Mundiais sub-20.

O tiro esportivo, que nos Jogos do Rio saiu com uma medalha de prata de Felipe Wu, teve três ouros em Toronto.

Segundo o presidente da confederação nacional, Durval Balen, a retirada do Pan como critério tende a afetar o panorama financeiro.

"Minha posição foi de imediata contrariedade. O Pan é o segundo evento em importância para o Brasil. No caso do tiro ainda mais, porque distribui vagas olímpicas. E agora vão tirá-lo?", indagou.

Balen lembrou que a verba da Lei Piva é vital para sua confederação, que não tem patrocínio privado. "Eu considero essa decisão do COB um erro gravíssimo", disse.

O dirigente afirmou que terá uma reunião de planejamento em novembro com o comitê para tentar reverter a situação. O tiro esportivo tinha previsão de levar até R$ 2,6 milhões da verba no ano.

Esportes com medalhas de ouro no Pan-2015 e que não tiveram conquistas olímpicas ou mundiais recentes são o tênis de mesa, o levantamento de peso e o basquete.

O badminton não foi ao topo do pódio em Toronto, mas obteve uma campanha positiva, com três medalhas: duas pratas e um bronze.

A intenção da confederação era subir de patamar no Pan de 2019, em Lima, e alicerçar com esses resultados uma inserção entre a elite do esporte nacional.

"Foi um baque o COB ter tirado o Pan. Estou temeroso, porque no longo prazo vai afetar", disse José Roberto Santini, superintendente da confederação de badminton, que poderia receber até R$ 2,2 milhões da Lei Piva em 2017.

(*) Jornalista



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