Atualizado em 05/09/2017 09:47:03

Aqui, Brasília

Portadores do novo

Cristovam Buarque (*)     

A política brasileira sofre de apego ao passado. Até mesmo as forças progressistas deixaram de ser portadoras do novo. Mas nunca foi tão urgente imaginar o futuro desejado e como construí-lo.

O novo está mais no dinamismo decorrente da coesão social, do que na disputa de interesses de grupos, corporações e classes: empresários precisam entender que há um interesse nacional comum a todos brasileiros; os trabalhadores precisam perceber que a luta sindical não deve sacrificar a estabilidade nacional, nem o bem-estar do conjunto do povo. Ser moderno é servir aos interesses do público, seja com instrumentos estatais, privados ou em parceria.

O novo exige que a economia seja eficiente, que a moeda seja estável e que o seu excedente seja usado para cuidar dos serviços públicos com qualidade e respeito aos usuários. O novo está na educação de qualidade capaz de construir uma sociedade do conhecimento, da ciência, da tecnologia, da inovação, da cultura.

O novo não é mais a proposta da igualdade plena na renda, que, além de demagógica, é autoritária, ineficiente e não respeita o mérito, o empenho e as opções pessoais. O novo está na tolerância com uma desigualdade na renda e no consumo dentro de limites decentes, entre um piso social que elimine a exclusão e um teto ecológico que proteja o equilíbrio ambiental. Entre estes limites, é preciso a escada social da educação que permita a ascensão das pessoas, conforme o talento e o desejo de cada um.

O novo não está mais na ideia de uma economia controlada sob o argumento de ser justa, mas no entendimento de que o seu papel é ser eficiente sob regras éticas nas relações trabalhistas, no equilíbrio ecológico e na interdição de produzir bens nocivos. O novo está na definição ética do uso dos resultados da economia eficiente para construir a justiça, com liberdade e sustentabilidade, especialmente garantindo que os filhos dos brasileiros mais pobres terão escolas com a mesma qualidade dos filhos dos mais ricos.

O novo não está na riqueza definida pelo PIB, a renda e o consumo, mas na evolução civilizatória, por exemplo; não está no número de carros produzidos, mas na eficiência como funciona o transporte público. O novo não está na velocidade como se destroem florestas e sujam-se os rios, mas na definição de regras que permitam oferecer sustentabilidade ecológica e monetária. O novo não está na segurança de mais prisões para bandidos, mas na paz entre os cidadãos.

O novo não está mais no excesso de gastos e de consumo, mas na austeridade que permita sustentabilidade e bem-estar. A política nova não está apenas na democracia do voto, mas também no comportamento ético dos políticos, em eleições com baixo custo, espírito público sem corporativismo, e na apresentação de propostas para o futuro nos atuais tempos de mutação, mesmo que isso implique em suicídio eleitoral, porque em tempos de mutação, os portadores do novo correm o risco de solidão. Mesmo assim, é preciso dizer: o novo está na educação.

 

(*) Senador (PPS-DF)



Comentários

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Juliana Santos

- 17/01/2017 10:14:43
Rogério Rosso foi governador interino do DF e só aumentou o rombo das contas no GDF. Esse é um bandido de marca maior.

Ribas

- 17/01/2017 10:49:42
O Rosso é ficha limpa vou torcer por ele.

Daniel Soares

- 17/01/2017 10:24:42
Infelizmente o Rosso é corrupto, caso ganhe vai aparecer o vídeo dele recebendo dinheiro no caso do Durval Barbosa. Aguardem!

Antonio Auryvan Pinheiro

- 23/11/2016 09:32:22
Lamentável! Que País é esse!

Ione Nascimento

- 23/11/2016 09:59:21
Continuo afirmando! Faltará penitenciária nesse país. ..Como podemos votar em tantos VERMES...

Mariângela Freitas Mariângela Freitas

- 23/11/2016 09:10:21
A neblina se dissipa pouco a pouco. "Não há nada encoberto embaixo do sol ,que um, dia venha a ser revelado."

Franklin Castro

- 11/05/2016 13:49:02
Belo texto. Parabéns! Não sou profundo conhecedor do personagem central ao qual o texto constrói seu tema, muito embora o texto por sí nos leva a entender de forma clara o Deputado debutante. Mas, como diria Saavedra, em sua obra maior D. Quixote, seu fiel escudeiro Sancho Pança apenas come e bebe, e ainda sonha com o governo da ilha que seu mestre lhe prometeu como recompensa por seus serviços, é leal, mas cético. Com seu pés totalmente no chão, auxilia o leitor voraz a rir do demente. Será possível não rir? Veja o tom ríspido e seco da narrativa quando o ex-Alonso Quinxano, ainda D. Quixote se recolhe para morrer. Sancho assim o tenta convencer: " Cale-se, por Deus, volte a sí e deixe de histórias........". A hipocrisia aos poucos vai tornando-se densa na medida exata que a trama se consolida no plano formal. Brasília, Brasília.......
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